Comunidade do Baixo Madeira faz planos para melhorar ambiente escolar

Equipe da instituição de ensino

Instituição de ensino é um marco à comunidade, que já ouve o som dos fogos de inauguração

A professora Chirlane Nobre Belo fez um balanço fiel da felicidade que se encontra a comunidade do Baixo Madeira, região norte do Estado, com a escola que atende aquela população. Mestra em estudos literários, moradora da localidade, sua primeira infância é toda repleta de casos e fotografias de memória daquela região onde hoje ela ensina. Confira o relato e a riqueza de detalhes que este texto contem para levar você a uma comemoração de força, cultura e muita alegria.

CRIAÇÃO DA ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO MÉDIO JURACY LIMA TAVARES NO DISTRITO DE SÃO CARLOS – BAIXO MADEIRA

O Governo do Estado de Rondônia cria, por meio da Secretaria de Estado da Educação, a EEEM Juracy Lima Tavares no distrito de São Carlos – Baixo Madeira – Decreto n. 23.647 de 12 de fevereiro de 2019.

Por: Chirlane Nobre Belo

O que é um prédio? É uma construção física composta por cimento, areia, concreto, madeira (…) Para além da materialidade física, um prédio pode representar a materialidade de um sonho ou sonhos. Pode representar esperança, vida, renascimento, resiliência.  O prédio da EEEM Professora Juracy Lima Tavares é uma construção de sonhos e símbolo de mais um dos tantos episódios da resiliência ribeirinha.

É uma escola modesta em estrutura mista em madeira e alvenaria muito aquém do padrão da Rede de Estadual de Ensino. Constitui, inclusive, um risco político para a atual gestão. É preciso ter coragem e sensibilidade para compreender onde o pouco é muito. O governador do Estado de Rondônia, Coronel Marcos Rocha, e o Secretário de Estado da Educação, SuamyVivecananda Lacerda de Abreu, possuem essa habilidade.

Em princípio, parece tanto alvoroço, seu moço, por uma construção tão simplória. Contudo, se ouve uma declaração: “Essa é nossa! Vamos cuidar e zelar por cada sala. Olhem, vamos plantar um jardim bem bonito aqui na frente da escola e uma horta ali atrás. Essa é a nossa escola, um sonho”! A fala recheada de alteridade é de dona Maria Cenise, a Nicinha, servidora pública lotada há mais de vinte anos na extensão da EEEM Major Guapindaia em São Carlos. Os demais colegas da equipe de apoio com mais ou menos o mesmo tempo de serviço prestados na extensão aplaudem e imitam os sons dos foguetesque irão soltar no dia oficial de inauguração da escola.

Escola se tornou simbolo de orgulho de toda comunidade

A EEEM Professora Juracy Lima Tavares presta uma justa homenagem a uma mulher de luta, enquanto vida, pelo desenvolvimento da educação no distrito de São Carlos e em comunidades adjacentes. Foram muitos os relatos a respeito de seu trabalho e de sua conduta ética e humana durante a escolha do nome da escola. Assim, ela ganhou por aclamação e em meio a grande comoção de seu filho, Jonir Tavares de Souza, professor da EMEF Henrique Dias.

A homenagem descortina a linhagem de uma família inteira de educadores (as) genuinamente beradeira composta principalmente por mulheres com trabalhos relevantes na área da educação básica no Estado de Rondônia. São muitas, meio leviano citar. Porém, o gênero exige a comprovação do declarado: Raquel Tavares, gestora de escola na zona rural de Porto Velho; Leila Ramos Tavares, gestora estadual do programa Fórmula da Vitória; Cláudia Ramos, diretora da EEEFM Ulisses Guimarães; Carla Ramos, formadora de gestores – Tutoria Pedagógica da equipe de formação na Diretoria Geral de Educação, entre outras e outros.

O ato cotidiano no serviço público é capaz de materializar o fato histórico e entrelaçar famílias e coadunar presente e passado em um lampejo de memória. O que somos, senão memórias? Sou filha de Dorian de Lima Belo, primo de Juracy de Lima Tavares, e de Maria Mendonça Nobre. Durante o processo de criação da escola, revivi as cantigas de roda ensinadas pela tia Juracy, vi os coqueiros e o gramado bem verde na frente de São Carlos, assisti à missa na igreja de Nossa Senhora Aparecida e acompanhei a procissão pelo rio com olhar fixado nos barcos de pesca ricamente enfeitados com bandeirinhas coloridas enquanto acompanhava, com passos lerdos em terra firme, a romaria com o terço de minha mãe nas mãos.

 Lembrei o dia em que sai de São Carlos. Minha mãe carregava uma mala marrom de papelão duro, objeto de cenário na dramaturgia, e sete filhos em uma corrente formada por mãos e disposta em escala decrescente do maior para o menor. Meu pai esbravejava alguma coisa de cima do barranco. Ela descia enérgica e resoluta acomodando cada criança em um lugar no barco recreio. Sempre amei São Carlos. É o lugar de minha memória afetiva. Tive uma primeira infância muito feliz à beira do Madeira. Minha mãe era funcionária pública e meu pai pescador. Tínhamos quase tudo, até o ano em que meu irmão mais velho concluiu a quarta série primária. Não teríamos direito à educação básica. Esse foi o motivo de eu e minha família sairmos e São Carlos e virmos morar em Porto Velho.

Por isso, a criação da EEEM Professora Juracy Lima Tavares em um prédio simples é uma construção de sonhos e o símbolo da resistência de uma comunidade em pertencer à floresta e permanecer na beira do rio Madeira, travando o embate anual com os períodos de cheia e seca. O ribeirinho é um sujeito que compreende como poucos o conceito de impermanência. Em 2014, as águas do rio Madeira e de seus afluentes invadiram as comunidades mais baixas, desabrigaram muita gente e destruíram os bens materiais de seus moradores. Nessa época, alguns órgãos anunciaram o fim de São Carlos, proibiram investimentos públicos no distrito e o retorno às casas por seus moradores. Eles voltaram. Desaterraram suas casas, cobraram atendimento público e refizeram o roçado. Hoje, estão com a água do Madeira na beira do barranco e o lago do Cuniãsubindo por trás. As cheias modificam a paisagem e a geografia do lugar. O rio leva o barranco, traz sedimentos e incertezas, a essência da resiliência beradeira.

Autora: Chirlane Nobre Belo

Professora Chirlaine

Profª Ms. Em Estudos Literários pela Universidade Federal de Rondônia
Chirlane Nobre Belo, Servidora Púbica da Secretaria de Estado da Educação de Rondônia como professora da educação básica, desde 2002, atualmente, exerce a função de Chefe do Núcleo de Apoio à CRE/PVH, sendo responsável pelas escolas ribeirinhas da Rede Estadual de Ensino localizadas no Baixo Madeira.

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