Na prática a teoria é outra: Japonês engessa saúde em menos de um ano de mandato

Eduardo Japonês, prefeito

Em campanha, Japonês dizia que Vilhena tinha dinheiro, o que faltava era gestão. Há dinheiro

Fazer saúde pública não é fácil. Existe uma série de fatores que contribui – de forma negativa – para tornar a atividade ainda mais complexa. Entretanto nada é tão destrutivo para saúde do que a falta de conhecimento e habilidade de seus gestores para conduzir a pasta.

Nunca na história de Vilhena a saúde pública foi tão catastrófica: faltam remédios, equipamentos, e sobram reclamações de falta de itens alimentícios, “fura fila” para cirurgias e atendimentos, além de falta de estrutura de trabalho.

É nítido que os servidores estão desmotivados e a população também. O então candidato a prefeito Eduardo Japonês (PV) dizia em campanha que dinheiro a cidade de Vilhena tinha e o que faltava era gestão.

Passados oito meses de mandato, os problemas do setor o levam à beira de um colapso. Alguns secretários de Japonês estão nos cargos há quase um ano – eles estiveram na administração do então prefeito temporário Adilson oliveira (PSDB). O prefeito e o secretário Afonso Emerick não conseguiram, ainda, inaugurar o posto de saúde do Setor 12 mesmo com a obra praticamente pronta.

Isso sem contar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que começou a ser construída pelo então prefeito Rover, na gestão Rosani Donadon grande parte dos equipamentos foram comprados, inclusive um aparelho de Raio-X. A unidade irá contribuir com o desafogamento do Hospital Regional e é mais um benefício à população. Não há sequer prestação de contas de como está a unidade.   

Há sete meses no cargo, Afonso Emerick não conseguiu impor ritmo à saúde

Desde o início do ano reclama-se da falta de medicamentos de um modo geral. Atualmente a farmácia básica não tem psicotrópicos e quem necessita do medicamento conta apenas com a sorte.

Capitulo a parte neste enredo, porém não menos importante é a falta de valorização dos servidores da Saúde. A ex-vereadora Neide Iquino (PV) que em 45 dias de mandato levantou a bandeira dos servidores, terminou sua passagem pelo parlamento decepcionada. Japonês disse não à classe.

A vereadora Leninha do Povo (PTB) recebeu muita pressão do poder executivo para votar ao aumento infame do valor do IPTU na promessa que em 2019 os servidores da saúde tivessem um plano de carreira, o que até agora não aconteceu.

Os médicos estão com vencimentos achatados. Conforme o portal da transparência da prefeitura, existe telefonista, agentes administrativos e outros cargos ganhando mais do que estes profissionais que lutam sem a devida estrutura para salvar vidas dos vilhenenses.

O subtenente Suchi (Podemos) juntamente com o vereador Samir Ali (PSDB) buscaram um alento para as classes que têm os menores proventos na saúde, até então não foram atendidos.

Diante de tudo é impossível deixar de fazer um questionamento: falta dinheiro ou falta gestão? Dinheiro não falta. O município de Vilhena é um dos que mais arrecada em Rondônia.

Ainda nesta semana, Emerick confirmou que o governo do estado repassou quase R$ 3 milhões à saúde de Vilhena. Somado o valor ao R$ 1.5 milhão que foi destinado para a compra de um tomógrafo, a saúde do município tem em conta quase R$ 5 milhões.

Observa-se, ainda, que os servidores estão empenhados em ajudar, o governo do estado tem mostrado ser um parceiro, vereadores mantém vigilância e cobrança constante, deputados e senadores não se furtam da responsabilidade de destinar emendas, mas ainda assim a coisa não anda.

A questão do tomógrafo é um exemplo claro: o dinheiro foi destinado, mas Japonês e Emerick não estão conseguindo fazer o projeto para garantir a compra. Não estão conseguindo comprar o tomógrafo.

Mesmo tendo dinheiro em caixa, pelo Portal da Transparência percebe-se (se ele estiver atualizado corretamente) que não há sequer a intenção de abrir processos para pelo menos amenizar a situação.

Sem sombra de dúvidas é possível afirmar que a situação da saúde irá continuar deficitária por mais alguns meses (levanto em conta apenas os trâmites burocráticos necessários para a aquisição de produtos e equipamentos).

Afonso está na pasta há quase oito meses e ainda não conseguiu dar ritmo ao setor. A conclusão é que se tem dinheiro, falta gestão, pulso e conhecimento.

Contra argumentar dizendo que o problema não é novo, além de ser raso é profundamente preocupante. Pode até não ser novo, mas está na conta da equipe atual, a mesma que não está conseguindo imprimir as promessas feitas para vencer as eleições.