Prefeito comemora R$ 1 milhão em emenda para a saúde mesmo sem conseguir terminar processo pra compra de tomógrafo

Hospital Regional de Vilhena

Dinheiro pra compra do equipamento está na conta do município desde o ano passado

Nessa semana, a imprensa oficial do município de Vilhena divulgou nota comemorando a consolidação de uma emenda do ex-senador Valdir Raupp (MDB) no valor de R$ 1 milhão para a saúde do município. O recurso será utilizado para a compra de equipamentos.

Chama atenção, no entanto, a insensatez do prefeito Eduardo Japonês (PV) ao autorizar a divulgação de uma matéria sobre esse assunto.

Isso porque o prefeito está há praticamente seis meses tentando concluir a abertura de um processo licitatório para a aquisição de um tomógrafo no valor de R$ 1,5 milhão e até agora nada.

O recurso é fruto de emenda parlamentar, está na conta desde o ano passado e o secretário Afonso Emerick errou o trâmite para dar abertura ao processo, mesmo na administração pública há mais de 15 anos.

Não há sequer esperança de quanto tempo irá levar para que a população possa contar com este equipamento. Além da inoperância em executar trâmites administrativos, o prefeito e o secretário ainda não conseguiram colocar pra funcionar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal que foi dada de presente à população de Vilhena pela justiça do trabalho, um projeto de R$ 2.5 milhões, que a prefeitura vem fazendo pouco caso, deixando de atender as crianças que necessitam do espaço.


Até agora nem esperança a dupla Japonês e Emerick conseguiu dar à população

A comemoração da chegada do recurso mais parece enredo politiqueiro (Japonês apoiou a candidatura à reeleição de Valdir Raupp) a fim de mostrar que as coisas estão melhorando, que a saúde de Vilhena está deixando o limo em que se encontra há meses, depois de escândalos dos mais variados, erros grosseiros de gestão e principalmente falta de conhecimento administrativo do prefeito e seu secretário.

Resta saber quanto tempo Afonso Emerick e Eduardo Japonês vão levar para conseguir licitar e comprar os “5 oxímetros de pulso (aparelho que mede a quantidade de oxigênio no sangue), 3 cardiotocógrafos (aparelho para acompanhamento de gestação), 3 aspiradores de secreção móveis, 2 cardioversores (aparelho para reanimação por corrente elétrica), 10 estetoscópios infantis, 3 incubadoras neonatais, 9 mesas auxiliares, 2 aparelhos de anestesia com monitor multiparâmetros, 3 poltronas hospitalares, 37 berços especiais, 2 aparelhos para fototerapia, 4 carrinhos de emergência, entre outros”, como exemplificou o próprio secretário em entrevista aos jornalistas da prefeitura.

Outro ponto que assusta é o fato de o secretário dizer que “vamos continuar recebendo emendas para a Saúde e buscando ainda mais. Ir a Porto Velho e Brasília tem se tornado uma rotina importante e cheia de resultados para nós, que devemos garantir recursos suficientes para atendermos toda a população do Cone Sul e do norte do Mato Grosso, que são cerca de 250 mil pessoas”, explica Emerick.

Se o próprio secretário não conseguiu, ainda, dar conta de comprar um aparelho de tomografia com dinheiro em conta, não tem necessidade de ir atrás de mais recursos. Precisa fazer com o que tem em conta pra não perder o dinheiro. Usar o que se tem garantido pra depois ir atrás de mais.