Hospital Regional tem aparelho de ecocardiograma que nunca foi utilizado pela população

Hospital Regional de Vilhena

Equipamento está na unidade hospitalar desde janeiro e não há informações de quando começa a funcionar

Diante da mais nova crise que se instaurou neste final de semana na saúde pública de Vilhena, a equipe de reportagem do site Gazeta Amazônica está em campo tentando buscar mais informações acerca do assunto.

No início da noite deste sábado, 8, esta página eletrônica conseguiu a confirmação de que o município de Vilhena tem um aparelho novo de ecocardiograma.

O equipamento foi adquirido via emenda do deputado estadual Lebrão (MDB) através de empenho do vereador Rogério Golfeto (Podemos), que passou praticamente todo o ano de 2018 para garantir o benefício à saúde pública. O aparelho custou R$ 125 mil e está nas dependências do Hospital Regional de Vilhena desde janeiro sem nunca ter sido utilizado.

A equipe de reportagem do site Gazeta Amazônica conversou com o vereador e ele confirmou a informação. Rogério relatou que a prefeitura de Vilhena, através da Secretaria Municipal de Saúde (Semus) disse que ainda está aguardando a empresa que venceu o processo licitatório para realizar a instalação do aparelho de ecocardiograma. “Foi essa a informação que me passaram”, disse o parlamentar.

Na noite desta sexta-feira, 7, o diretor clínico do Hospital Regional, Romualdo Kelm, chamou a polícia para conduzir o cardiologista Charles Novaes de Almeida à UNISP porque uma mulher o denunciou dizendo que o médico cobrara R$ 380 por um exame de ecocardiograma que ele mesmo receitou a um paciente.

A polícia ainda encontrou no Regional uma funcionária do cardiologista que estava com o aparelho móvel de ecocardiograma que pertence a Charles, além de recibos em nome de Nelson Amancio de Oliveira que, segundo a denúncia, trata-se do paciente que pagou pelo serviço.

Situação difícil

A equipe de reportagem do site Gazeta Amazônica conversou com alguns profissionais de saúde que trabalham no Hospital Regional. A maioria relatou que é comum médicos lotados na unidade recomendarem exames que eles mesmos fazem na iniciativa privada.

Contudo, devem ser respeitados alguns princípios: “O médico não pode estar de plantão, não se pode realizar os procedimentos dentro do Hospital Regional, muito menos contar com a ajuda de servidores em horário de expediente”, disse um dos profissionais que pediu pra não ser identificado por conta de represálias.

Outro fator apontado pelo profissional é sobre a falta de equipamentos. “Agora que está começando a chegar alguns equipamentos que foram comprados em 2017, 2018. É difícil solicitar exames quando não se tem aparelhos à disposição”, criticou o profissional, que disse que em alguns casos, para o paciente conseguir exames através do Sistema Único de Saúde (SUS) é preciso ir a outros municípios. “Tem gente que passa meses na fila de espera”, criticou.

É pra denunciar

No final da tarde deste sábado, 8, a assessoria do prefeito Eduardo Japonês (PV) enviou nota à imprensa com uma recomendação do chefe do poder executivo municipal: a população deve denunciar todo tipo de situação deste sentido em qualquer esfera municipal.

O cardiologista foi afastado temporariamente de suas funções enquanto uma sindicância foi apurada para que seja levantado todo fato ocorrido naquela sexta-feira. O site Gazeta Amazônica deixa espaço para que os citados na matéria (caso queiram) apresentem suas versões acerca do assunto.